Psicologia comunitária: o que é e como transforma as sociedades

A psicologia é uma disciplina tão diversa e antiga que nos ajudou a gerar muitas maneiras de compreender nosso comportamento individual e nossos relacionamentos interpessoais.

Um dos ramos da psicologia que está particularmente orientado para a produção de mudanças e transformações sociais do ponto de vista dos próprios atores é psicologia comunitária. Neste artigo iremos explicar o que é, de onde vem, quais são os principais objetivos e alcance deste ramo da psicologia.


    O que é psicologia comunitária?

    A psicologia da comunidade, ou psicologia social da comunidade, é uma teoria e uma metodologia que surge nos países americanos, tanto do norte, centro e sul, e tem como objetivo principal produzir transformações nas comunidades buscando o fortalecimento e a participação dos atores sociais em seu próprio meio.

    De onde isso vem?

    É uma teoria interdisciplinar porque inclui um corpo organizado de ideias e conhecimentos que não vêm apenas da psicologia, mas de outras ciências humanas e sociais em particular, como a antropologia, a sociologia ou a filosofia científica.

    Também se alimenta da atividade política de movimentos disciplinares transformadores, como a antipsiquiatria ou a saúde mental comunitária, que surgiram na Itália e nos Estados Unidos em meados do século XX e fizeram comentários ou denúncias sobre alguns limites de formas. para fazer psicologia.

    Do mesmo jeito ele tem influências importantes no pensamento revolucionário latino-americanoComo a sociologia militante promovida pelo colombiano O. Fals Borda, ou o modelo de educação popular do brasileiro Paulo Freire.

    Como teoria, a psicologia social comunitária se preocupa com o estudo dos fatores psicossociais, isto é, elementos tanto psíquicos quanto sociais especificamente envolvidos no controle e poder que as pessoas exercem sobre nós, elas mesmas e nossos ambientes.

    É por isso que a psicologia comunitária está intimamente ligada aos conceitos de poder, autogestão e empoderamento, e faz parte de uma corrente de transformação crítica que pressupõe que a sociedade é uma construção coletiva as pessoas que o compõem, por sua vez influenciadas por essa construção, suscetíveis a críticas e mudanças (Montero, 2012).

      Da teoria à prática

      Em outras palavras, a psicologia comunitária também é uma metodologia: a partir de suas abordagens teóricas, podemos desenvolver estratégias de intervenção que incentivam as pessoas a serem agentes de mudança em nossos próprios ambientes e agentes ativos na detecção de nossas necessidades e na resolução de nossos problemas.

      É aqui que podemos ver uma diferença, até mesmo um distanciamento da psicologia social e clínica tradicional: não é o inspetor, o técnico, o estado, as instituições religiosas, políticas ou privadas, mas os agentes. Aspectos sociais da própria comunidade, que eles reconhecemos como protagonistas, especialistas e produtores de mudança.

      Por isso, a psicologia comunitária também é concebida como um projeto de psicologia do desenvolvimento; um desenvolvimento que vai além da dimensão individual, pois seu objetivo não é apenas modificar a psicologia das pessoas, mas também impactar o habitat e as relações indivíduo-grupo. para alcançar mudanças qualitativas neste habitat e nas relações.

      Conceitos-chave: capacitação, comunidade …

      A psicologia social comunitária considera que o espaço onde uma relação transformadora é necessária e pode ser estabelecida é aquele em que as pessoas desenvolvem sua vida diáriaEm outras palavras, a comunidade.

      A comunidade sendo o espaço onde as transformações sociais podem ocorrer, são os atores que compõem essa comunidade que devem gerir e produzir essas transformações: são eles que vivenciam conflitos e acordos diariamente.

      Mas muitas vezes isso não acontece, mas a responsabilidade e a capacidade de gerar soluções costumam ser delegadas a pessoas ou grupos externos às comunidades, geralmente instituições ou agentes que se consideram especialistas.

      O que a psicologia comunitária oferece é que a abordagem daqueles que se consideram especialistas ou instituições sociais, embora necessária no início, não pode permanecer na comunidade como o único agente de mudança, mas trata-se de promover membros da comunidade que fortaleçam a autogestão e promover a transformação. Em outras palavras, o auditor deve promover seu próprio afastamento da comunidade, na medida em que é externo.

      Assim, o objetivo é desenvolver, fomentar e manter o controle, o poder, a participação ativa e a tomada de decisões das pessoas que compõem uma comunidade (Montero, 1982). Dessa abordagem surge o conceito de empoderamento, uma palavra que mais tarde foi transformada em “empoderamento” porque o conceito anglo-saxão de “empoderamento” foi movido.

      O problema com este último é que significa literalmente “dotação de poder”, o que nos leva a pensar erroneamente que um psicólogo comunitário é aquele que “tem o poder” e é responsável por “distribuir” esse poder às pessoas. para vê-la.

      Empoderamento ou fortalecimento? Poder e participação

      Na verdade, a proposição da psicologia comunitária está mais próxima do processo de empoderamento, onde o poder não é uma dádiva ou um dom, mas um marco que surge a partir da reflexão, da consciência e da ação das pessoas. As pessoas de acordo com seus próprios interesses, ou seja, poder e empoderamento são processos coletivos.

      Que significa a pesquisa em psicologia social da comunidade é participativaE o desenvolvimento e implementação de projetos de intervenção levam em consideração muitos fatores (psicossociais) que vão além da psicologia ou da personalidade dos indivíduos.

      Alguns exemplos de coisas a considerar são localização geográfica, demografia, características socioculturais, História da comunidade, atividades cotidianas, educação, características das instituições, processos de saúde e doença, recursos, problemas e necessidades detectados por meio de diagnósticos participativos.

      Referências bibliográficas:

      • Montenegro, M., Rodríguez, A. & Pujol, J. (2014). A psicologia social comunitária diante das mudanças da sociedade contemporânea: da reificação do comum à articulação das diferenças. Psychoperspectives, 13 (2): 32-43.
      • Montero, M. (2012). Teoria e prática da psicologia comunitária. A tensão entre comunidade e sociedade. Pago: Buenos Aires.
      • Mori, MP (2008). Uma proposta metodológica de intervenção comunitária. Liberabit, 14 (14): 81-90.
      • Montero, M. (1984). Psicologia comunitária: origens, princípios e fundamentos teóricos. Revista Latino-americana de Psicologia [En línea] Acessado em 6 de abril de 2018. Disponível em http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=80516303 ISSN 0120-0534.

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