Predição afetiva: uma habilidade mental muito útil

Nós, humanos, temos a capacidade de sentir uma imensa quantidade de emoções que nos oprimem e nos condicionam na hora de tomar qualquer tipo de decisão. Quando essas emoções ocorrem no passado, elas podem ser registradas tão intensamente que podemos nos lembrar delas, não importa quanto tempo passe. Mas e as emoções futuras?

Alguns estudos tentaram estudar nossa capacidade de determinar emoções futuras, garantindo-lhe o conceito de predição afetiva. Neste artigo, falaremos sobre essa habilidade, junto com fatores específicos e possíveis aplicações.


    O que é previsão afetiva?

    Predição afetiva ou prognóstico afetivo é um termo usado em psicologia para definir capacidade das pessoas de fazer previsões sobre sua doença futura ou estado emocional e suas consequências.

    O termo foi cunhado pelos psicólogos Timothy Wilson e Daniel Gilbert como resultado de suas pesquisas sobre essa habilidade. Embora as primeiras pesquisas se concentrassem apenas em medir as previsões emocionais, estudos posteriores começaram a examinar a precisão e a previsão dessas previsões.

    Capacidade mental limitada

    Os resultados revelaram que as pessoas somos extremamente desajeitados quando se trata de tentar prever nossos estados emocionais. Devido ao grande número de vieses cognitivos que temos, como foco, falta de empatia e viés de impacto, somos virtualmente incapazes de determinar exatamente como, quando e com que intensidade vamos sentir nossas emoções em casa.

    A razão é que os sentimentos do presente interferem e nos cegam ao tomar decisões no futuro, momento em que podemos nos sentir muito diferentes do que pensamos que vamos.

    Encontramos um exemplo quando se trata de perguntar às pessoas como elas acham que se sentiriam se a loteria as acertasse. As pessoas têm maior probabilidade de superestimar sentimentos positivos futuros, ignorando muitos fatores que podem influenciar seu estado emocional, além do fato de que a loteria as atingiu.

    No entanto, estudos descobriram que as pessoas são realmente capazes de prever a valência afetiva de suas emoções futuras. Em outras palavras, sabemos se uma ação ou evento futuro será positivo ou não. muito somos qualificados o suficiente para identificar as emoções que teremos; por exemplo, saber que nos sentiremos felizes após um elogio.

    No entanto, essas previsões nem sempre são corretas. Em outras palavras, as pessoas não estão certas sobre suas emoções futuras 100% do tempo. Da mesma forma, somos muito menos precisos ao tentar prever a intensidade e a duração de nossas emoções futuras.

      Que aspectos da emoção podemos prever?

      A previsão afetiva pode ser dividida em quatro componentes ou fatores para o qual as pessoas têm uma capacidade mais ou menos preditiva. Esses fatores são:

      • Valência emocional.
      • A emoção específica sentida.
      • A intensidade das emoções.
      • A duração das emoções.

      1. Valência emocional

      Em psicologia, falamos de valência afetiva o valor emocional que atribuímos a uma pessoa, objeto ou situação. No caso específico da predição afetiva, ela se manifesta na capacidade de saber se uma pessoa ou evento nos trará emoções positivas ou negativas. O que quer que sejam.

      Estudos mostram que as pessoas são muito boas em prever esse fator, o que significa que sabemos muito bem quais coisas geram emoções positivas e as valorizam como tais, e quais outras coisas causam emoções negativas e produzem sentimentos de autoestima.

      2. Emoções específicas

      Prever a valência não é suficiente. Além disso, as pessoas sentem a necessidade de saber exatamente quais emoções específicas temos com certas situações ou com certas pessoas.

      Em geral, temos a capacidade de prever nossas emoções específicas na maior parte do tempo. Estamos cientes das circunstâncias que nos fazem felizes e o que os outros geram em nós são sentimentos de angústia, medo ou ansiedade.

      No entanto, isso nem sempre é fácil, pois muitas vezes podemos experimentar uma mistura de emoções que eles nem sempre parecem compatíveis. Por exemplo, se você encontrar uma boa oferta de trabalho, mas for no exterior, você pode se sentir feliz e animado para começar uma nova vida e ter um bom emprego, mas por outro lado, podemos nos sentir um pouco tristes por ter que deixar nossa família e nossos amigos.

      3. Intensidade e duração das emoções

      Finalmente, o terceiro fator estudado na pesquisa de Wilson e Gilbert foi a capacidade das pessoas de prever a intensidade das emoções, bem como sua duração.

      Os resultados determinaram que podemos prever com bastante precisão tanto a valência afetiva quanto as emoções específicas que experimentaremos no futuro. No entanto, em termos de nossa capacidade de prever a intensidade e a duração das emoções, os dados mostram que não somos tão proficientes.

      A pesquisa mostrou que as pessoas tendemos a superestimar a duração de nossas futuras reações emocionais, Um fenômeno conhecido como viés de sustentabilidade. Da mesma forma, quando tentamos prever a intensidade de nossas emoções, também caímos no erro de superestimar essa intensidade. Nesse caso, o erro se deve ao viés de impacto.

      Que aplicativos pode ter?

      Embora o prognóstico afetivo tenha sido estudado principalmente no campo da psicologia, existem muitos outros campos, como economia, jurídico, área de assistência médica ou a busca da felicidade

      Um exemplo de aplicação dos estudos de predição afetiva, em um campo diferente da psicologia, encontramos no interesse demonstrado pelos teóricos do direito na tendência de subestimarmos nossa capacidade de nos adaptarmos aos eventos que levam a uma mudança em nossa vida como esta isso os leva a questionar as premissas subjacentes à compensação por danos.

      Da mesma forma, essa habilidade também está sendo investigada por teóricos ou analistas de saúde, uma vez que a maioria das decisões críticas de saúde tomadas depende da percepção do paciente sobre sua qualidade de vida futura.

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