O preço a pagar para encontrar um emprego para ter contatos

O mérito pessoal nem sempre garante o acesso a um emprego, e muitas vezes o que realmente importa é se você conhece ou não alguém relacionado à organização ou projeto em questão. Quando os empregos são escassos e o desemprego dispara, como aconteceu em muitos países durante a última crise financeira global, há ainda mais razões para considerar as repercussões do que a prática de nepotismo pode ter no local de trabalho.

Porque o que está claro é que quem acessa um emprego para conhecer alguém tem lucro: passa de não ter um emprego para o qual possa não estar qualificado para ter, sem passar por muitos filtros de seleção de pessoal. Mas é possível que a prática da “conexão” também tenha um efeito negativo sobre o beneficiário. Uma espécie de consideração mais difícil de detectar do que o positivo de ganhar um lugar quase sem esforço.


Estigma por engarrafamentos

Um grupo de psicólogos da Butler University publicou um artigo no Journal of Business and Psychology em que apresenta evidências para os fortes estigma social que carregam nos ombros pessoas selecionadas para um lugar por nepotismo. Especificamente, as pessoas que entram em um emprego porque fazem parte da família de uma pessoa não são apenas julgadas negativamente por tirar vantagem de seus contatos especiais, mas também eles são percebidos como menos capazes de realizá-lo.

Pesquisa

Os pesquisadores se concentraram em analisar as respostas dadas por 191 estudantes de administração de empresas. Os integrantes desse grupo de voluntários devem ter se imaginado funcionários de um banco em que seu chefe ainda não havia sido selecionado e, então, ler informações sobre três inscrições. Dois desses candidatos foram sempre iguais: um perfil bem qualificado atendendo aos requisitos do cargo vago e outro claramente subqualificado. A terceira aplicação, que correspondia ao contratado definitivo, variava entre três níveis de qualificação.

Em alguns casos, esse candidato teve uma pontuação mais alta do que os outros dois candidatos, mas em outros ele estava no mesmo nível que o candidato “forte” dos dois anteriores ou estava um pouco abaixo. Em uma dessas três possibilidades, o terceiro candidato preenchia as condições mínimas para acessar o julgamento. Contudo, metade dos voluntários foi informada de que esta candidatura, a escolhida, era de um parente próximo do vice-presidente.

Depois de passar por essa fase, os voluntários tinham que preencher questionários nos quais avaliavam o escolhido para ser seu superior com base em fatores como nível de habilidade, sorte, aptidão e aptidão política.

Coisas de carma

Os resultados mostram como funcionários eleitos são muito menos valorizados quando há sinais de nepotismo. Com efeito, nos três graus de qualificação que podia apresentar a terceira candidatura, foi sempre menos valorizada do que a candidatura escolhida por mérito. Os alunos presumiram que essa pessoa foi escolhida principalmente por causa de seus laços familiares, independentemente do nível de habilidade refletido em seus currículos. Desta forma, as pessoas selecionadas foram avaliadas como se todos eles carecessem características típicas geralmente associadas a bons gerentes, Independentemente de a pessoa escolhida com base em “receber” ser do sexo masculino ou feminino.

Desta forma, mesmo pessoas que, pelas informações profissionais e acadêmicas disponíveis, pareciam bem preparadas para o site, foram vistas como incapazes. Paradoxalmente, o tipo de estigma observado no estudo pode dificultar o desenvolvimento do trabalho pelas pessoas escolhidas para seus relacionamentos, devido ao tipo de clima de trabalho que inoculam na organização. Também pode custar caro elevar-se acima das influências daquele que os escolheu.

Referências bibliográficas:

  • Padgett, MY, Padgett, RJ e Morris, KA (2014). Percepções dos beneficiários do nepotismo: o preço oculto de usar uma conexão familiar para encontrar um emprego. Journal of Business and Psychology, 30 (2), páginas 283-298.

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