A teoria da evolução biológica: o que é e o que explica

O homem é um ser curioso que, ao longo da história, questionou tudo ao seu redor e ofereceu as mais diversas ideias para explicá-lo.

Não é à toa que nossos ancestrais também se perguntavam sobre os animais e plantas que viam ao seu redor: sempre foram assim ou mudaram com o tempo? E se houvesse alguma diferença, Quais mecanismos foram usados ​​para fazer essas mudanças?


Essas são as principais incógnitas que se tem tentado resolver por meio do que conhecemos hoje como uma teoria da evolução biológica, que é a base da biologia e se comunica com grande parte do campo da psicologia, nas tendências que poderiam influenciar nosso comportamento e nossa maneira de pensar. Vamos ver o que é.

    Evolução de uma teoria fundamental em biologia

    A teoria da evolução biológica é um conjunto de explicações desenvolvidas cientificamente de como funciona o fato conhecido como evolução biológica. Em outras palavras, a evolução biológica é um processo observado na realidade (mesmo em contextos experimentais), e a teoria da evolução é um conjunto de abordagens “montadas” para a compreensão desse fenômeno natural.

    Deve ser lembrado que uma teoria científica é o status mais valioso que um sistema de leis científicas e hipóteses interconectadas pode adotar quando foram testadas repetidamente com sucesso e o que ajudam a compreender não pode ser expresso matematicamente. Isso significa, entre outras coisas, que se a teoria da evolução é “apenas” uma teoria, para refutá-la, outra teoria alternativa teria que ser criada; hoje, essa segunda teoria hipotética não existe, razão pela qual é a base da biologia atual e das ciências biomédicas em geral.

    Por outro lado, a teoria da evolução como a entendemos hoje não pode ser separada das pesquisas e descobertas de Charles Darwin, sem se limitar a ela. Hoje, a comunidade científica vai além das proposições de Darwin, embora a partir delas e sem negar seus elementos fundamentais., E combinando esse conhecimento com o do mundo da genética como campo de pesquisa. Mas para entender melhor como essa teoria se parece, vamos começar do início: seus primórdios e seus precedentes.

    Até o século 19, a ideia predominante sobre a origem das espécies era o criacionismo. De acordo com esta doutrina, um ser todo-poderoso criou cada um dos seres vivos existentes, e estes não mudaram com o tempo. Essa classe de crenças remonta à Grécia antiga e, embora nunca tenha se tornado hegemônica na Europa, deixou sua marca no pensamento de alguns teóricos e intelectuais.

    Mas com o Iluminismo, teorias mais complexas e próximas da realidade começaram a surgir na Europa. O mais notável no início do século 19 é a proposta de Jean-Baptiste Lamarck; esse naturalista francês propôs que todas as espécies têm a vontade de mudar e a capacidade de transferir para seus descendentes essas mudanças adquiridas por meio de suas ações, um mecanismo de transmissão característico denominado herança de traços adquiridos.

    Claro, deve-se notar que as ideias de Lamarck não se baseavam na herança de traços presentes nos ancestrais e que eles se desenvolveram a partir de sua interação com o mundo; era mais concreto do que isso. Segundo essa teoria, as características adquiridas são especificamente aquelas que resultam de ações proativas: por exemplo, tentar passar de uma dieta baseada em roedores para uma dieta baseada em peixes.

    Lamarck, em oposição aos criacionistas, defendeu a ideia da evolução das espécies, mas aceitou que as espécies eram geradas espontaneamente e não tinham uma origem comum. Ou seja, sua teoria falava apenas sobre o mecanismo pelo qual os seres vivos mudam com o tempo, não como aparecem pela primeira vez. Não vou entrar em mais detalhes, porque você tem aqui um artigo muito completo sobre lamarckismo: “A teoria de Lamarck e a evolução das espécies”.

    Charles Darwin e a teoria da evolução biológica

    Um grande passo foi dado ao admitir a ideia da evolução biológica por mecanismos inteiramente naturais, mas a teoria de Lamarck tinha muitas rachaduras. Não foi até 1895 que o naturalista britânico Charles Darwin publicar o livro A Origem das Espécies, no qual propor uma nova teoria da evolução (que seria conhecida como darwinismo). Gradualmente, essa teoria tomaria forma em seus escritos sucessivos e seria percebida como uma explicação da evolução biológica por um mecanismo natural: a seleção natural combinada com a seleção sexual. Então veremos em que consistem.

    Junto com o naturalista britânico também Alfred Russel Wallace (que curiosamente conduziu pesquisas semelhantes e chegou a conclusões quase idênticas sem ter encontrado uma palavra com ele), Darwin apresentou novas idéias em favor da evolução; que sim, com muita cautela, pelas implicações de sua obra põe em delicada situação a sucessão da Igreja, que sempre atribuiu à intervenção direta de Deus a existência de todas as formas de vida.

    Seleção natural

    De acordo com Darwin, todas as espécies vêm de uma origem comum, da qual se diversificou graças, em parte, à seleção natural. Esse mecanismo evolutivo pode ser resumido como as espécies mais adequadas ao ambiente em que se encontram se reproduzem com mais sucesso e têm descendentes que, por sua vez, têm maior probabilidade de se reproduzir com sucesso, deixando espaço para novas gerações. O naturalista inglês também aceitava a ideia da extinção, que era o outro lado da moeda: espécies menos adaptadas ao meio ambiente tendiam a se reproduzir cada vez menos, desaparecendo em muitos casos.

    Assim, em primeiro lugar, surgiram em cena populações de seres vivos com características diferentes, e o ambiente pressionou-os que tornou alguns deles mais reprodutivos do que outros, provocando a propagação das suas características e fazendo desaparecer outras.

    O que caracterizou esse processo foi seu caráter natural, alheio à influência de uma entidade sobrenatural. para dirigi-lo; isso acontecia automaticamente, da mesma forma que uma bola de neve cresce sob a influência da força da gravidade aplicada na encosta de uma montanha.

    Seleção sexual

    Outro dos mecanismos evolutivos descritos pela teoria da evolução de Darwin é a seleção sexual, que consiste em um conjunto de disposições e comportamentos naturais que tornam alguns indivíduos considerados mais desejáveis ​​de terem filhos consigo, e para outros menos desejáveis ​​para eles.

    Curtiu isso, seleção de sexo executa jogo duplo. Por um lado, é complementado pela seleção natural, porque fornece elementos que explicam por que alguns indivíduos têm melhor sucesso reprodutivo do que outros; mas, por outro lado, joga contra ela, porque há características que podem ser vantajosas do ponto de vista da seleção sexual, mas desvantajosas do ponto de vista da seleção sexual (ou seja, o resultado da interação com o meio ambiente, com exceção de possíveis pares reprodutores).

    Um exemplo deste último é a longa cauda do pavão: é mais fácil encontrar uma parceira, mas mais difícil ficar fora do alcance dos predadores.

    neodarwinismo

    Embora removendo a divindade na criação e explicando um mecanismo básico pelo qual as espécies mudam e se diversificam ao longo do tempo, Darwin desconhecia o termo que conhecemos hoje como variabilidade genética, e também não sabia da existência de genes. Em outras palavras, ele não sabia como é a variabilidade dos caracteres sobre os quais atua a pressão da seleção natural. Por isso, nunca rejeitou sobretudo a ideia de herança de personagens adquiridos proposta por Lamarck.

    Ao contrário de Darwin, Wallace nunca aceitou essa ideia, e fora dessa disputa uma nova teoria evolucionária chamada neodarwinismo emergiu., Impulsionado pelo naturalista George John Romanes, que, além de rejeitar as idéias lamarckianas em sua totalidade, acreditava que o único mecanismo evolutivo era a seleção natural, que Darwin nunca sustentou. Só no início do século 20 é que as leis de Mendel, mostrando que as mutações no DNA são pré-adaptativas, ou seja, primeiro passamos por uma mutação e depois testamos se o indivíduo em que ela ocorreu está mais bem adaptado ao ambiente ou não, rompendo com a ideia de herança de personagens adquiridos.

    Com essa premissa, os geneticistas Fisher, Haldane e Wright deram ao darwinismo uma nova reviravolta. Eles integraram a teoria da evolução das espécies por meio da seleção natural e da herança genética proposta por Gregor Mendel, tudo em uma base matemática. E é o nascimento da teoria atualmente mais aceita pela comunidade científica, conhecida como teoria sintética. Este propõe que a evolução é uma mudança mais ou menos gradual e contínua explicada pela variabilidade genética e seleção natural.

    O impacto social da teoria da evolução

    O maior problema de Darwin era dispensar a figura da mão de Deus em sua teoria do que poderia ser o mecanismo explicativo da diversidade biológica, o que é imperdoável em uma época em que religião e criacionismo eram hegemônicos.

    Contudo, O legado teórico de Charles Darwin foi forte e, ao longo dos anos, o surgimento de novos fósseis deu um bom suporte empírico à sua teoria.… que não deu uma boa contribuição para a ciência por parte das organizações religiosas. Mesmo hoje, ambientes intimamente ligados à tradição e religião negam a teoria da evolução, ou a vêem como “apenas uma teoria”, implicando que o criacionismo goza do mesmo endosso científico. O que é um erro.

    A evolução é um fato

    Embora falemos como a teoria da evolução, é de fato um fato, e há evidências para não duvidar de sua existência. O que se discute é como deveria ser a teoria científica para explicar a evolução das espécies para as quais há evidências, esse processo em si não é questionado.

    Abaixo estão algumas das evidências que comprovam a existência de evolução biológica.

    1. Salve os fósseis

    A paleontologia, disciplina que estuda os fósseis, mostrou que os fenômenos geológicos demoram muito para serem concluídos, como a fossilização. Muitos fósseis são muito diferentes das espécies atuais, mas, ao mesmo tempo, apresentam certa semelhança. Parece estranho, mas com um exemplo será mais fácil de entender.

    O Glyptodon era um mamífero do Pleistoceno que se assemelha a um tatu moderno, mas em uma versão gigante: é um traço da árvore evolutiva que leva aos tatus modernos. Os próprios fósseis também são evidências de extinção, pois mostram que no passado existiram organismos que não estão mais conosco hoje. O exemplo mais emblemático é o dos dinossauros.

    2. Restos e designs imperfeitos

    Alguns seres vivos têm projetos que podemos dizer que são imperfeitos. Por exemplo, pinguins e avestruzes têm asas e ossos ocos, mas não podem voar. O mesmo vale para a baleia e a cobra, que têm pélvis e fêmur, mas não andam. Esses órgãos são conhecidos como vestígios, órgãos que foram úteis a um ancestral, mas não são mais úteis..

    Essa é mais uma evidência da evolução, que também revela que esse processo é oportunista, pois aproveita o que tem para organizar uma nova instância. As espécies vivas não são o resultado de um design inteligente e bem planejado, mas são baseadas em “clichês” funcionais que são aperfeiçoados (ou não) ao longo das gerações.

    3.homologias e analogias

    Ao comparar a anatomia entre diferentes organismos, podemos encontrar casos que, mais uma vez, são um teste de evolução. Algumas delas consistem em homologias, nas quais duas ou mais espécies têm uma estrutura semelhante em algumas partes de sua anatomia, mas são para funções diferentes, o que se explica por serem provenientes do mesmo antecessor. Exemplos disso são os membros dos tetrápodes, pois todos possuem um arranjo estrutural semelhante, embora seus membros tenham funções diferentes (andar, voar, nadar, pular, etc.).

    O outro caso é o das analogias, órgãos de espécies diferentes que não têm a mesma anatomia, mas compartilham a função. Um exemplo claro são as asas de pássaros, de insetos e de mamíferos voadores. Eles foram desenvolvidos por caminhos diferentes para atingir a mesma função, a de voar.

    4. Sequenciamento de DNA

    Finalmente, o código genético, com algumas exceções, é universal, o que significa que todo organismo usa a mesma coisa. Do contrário, não seria possível à bactéria E. coli produzir insulina humana introduzindo o gene (de origem humana) responsável pela geração dessa substância, como fazemos hoje. Além disso, os OGM são mais uma prova de que o material genético de todas as formas de vida é da mesma natureza. Outra prova de que todas as espécies têm uma origem comum e prova de evolução.

    mecanismos evolutivos

    Embora tenhamos falado da seleção natural como um mecanismo que usa a evolução para avançar, ela não é a única conhecida. aqui veremos os diferentes tipos de seleção que influenciam a evolução.

    1. Seleção natural e sexual

    Na teoria da evolução biológica nascida em Darwin, esse naturalista originou a ideia de seleção natural a partir de suas observações sobre a viagem do Beagle durante sua viagem pelas Ilhas Galápagos. Neles ficava evidente que cada ilha tinha seu próprio tipo de tentilhão, mas todas se pareciam umas com as outras e com as do continente vizinho, a América do Sul.

    A conclusão a que chegou foi que os tentilhões-das-ilhas eram originários do continente e, ao chegarem a cada ilha, experimentavam uma “radiação adaptativa”, neste caso através da alimentação, gerando assim uma gama de variantes do mesmo grupo de ancestrais; por isso, essas aves têm picos muito diferentes entre si, tendo se adaptado ao ecossistema de cada ilha separadamente.

    Hoje podemos esclarecer melhor como a seleção natural funciona. O ambiente não é estável e muda com o tempo. As espécies sofrem mutações aleatórias em seu genoma, o que faz com que mudem suas características. Essa mudança pode ajudá-los a sobreviver ou, por sua vez, tornar a vida difícil para eles e fazer com que morram facilmente.

    2. Seleção artificial

    Não é propriamente um mecanismo evolutivo, mas uma variedade de seleção natural. Diz-se que é artificial porque é o ser humano que dirige a evolução para seus próprios interesses. Estamos falando de uma prática que existe na agricultura e na pecuária há milênios de escolher e cruzar plantas e animais para maior produtividade e rendimento. Isso também se aplica a animais de estimação, como cães, para os quais outras características foram buscadas, como mais força ou mais beleza.

    3. Deriva genética

    Antes de falar sobre esse mecanismo, é necessário conhecer o conceito de lel. Um alelo inclui todas as formas mutacionais de um determinado gene. Para dar um exemplo, os diferentes genes para a cor dos olhos em humanos. A deriva genética é definida como uma mudança aleatória na frequência alélica de uma geração para a outra, ou seja, o ambiente não age. Este efeito é melhor percebido quando a população é pequena, como no caso da endogamia., Onde a variabilidade genética é reduzida.

    Este mecanismo pode remover ou definir recursos de forma aleatória, sem que o ambiente tenha que atuar em sua seleção. E é por isso que nas cidades pequenas é mais fácil de perder ou adquirir qualidade ao acaso.

      Controvérsia ligada à evolução

      Como vimos, a teoria da evolução mais aceita hoje é a Teoria Sintética (também conhecida como Síntese Moderna), embora existam alternativas que se opõem a ela, considera-se que contém certas lacunas ou conceitos que não são explicados ou não incluídos.

      1. Neutralismo

      Até recentemente, acreditava-se que existiam apenas mutações prejudiciais (seleção negativa) e mutações benéficas (seleção positiva). Mas o biólogo japonês Motoo Kimura disse que em nível molecular existem muitas mutações neutras, que não estão sujeitas a nenhuma seleção, e a dinâmica depende da taxa de mutação e da deriva genética que as elimina, criando um equilíbrio.

      Desta ideia nasceu uma ideia oposta à proposta pela teoria sintética, onde mutações benéficas são comuns. Essa ideia é neutralismo. Este ramo propõe que mutações neutras são comuns e que mutações benéficas estão em minoria.

      2. Neolamarckismo

      O neolamarckismo é a parte da comunidade científica que ainda afirma que a teoria de Lamarck e sua herança de caracteres adquiridos não podem ser excluídos. A partir daí, tentamos conciliar essa ideia com a genética, alegando que as mutações não são aleatórias, mas são o resultado do “esforço” da espécie para se adaptar ao meio ambiente. Contudo, sua base empírica não pode ser comparada à da teoria sintética.

      Referências bibliográficas:

      • Cracraft, J.; Donoghue, MJ (2004). Montando a árvore da vida. Oxford: Oxford University Press.
      • Darwin, C.; Wallace, Alfred R. (1858). Sobre a tendência das espécies a formarem variedades; e na perpetuação de variedades e espécies por meio de seleção natural. Journal of Proceedings of the Linnean Society of London. Zoology 3.3 (9): páginas 46 a 50.
      • Hull, DL (1967). A metafísica da evolução. The British Journal for the History of Science. Cambridge: Cambridge University Press em nome da British Society for the History of Science. 3 (4): 309-337.
      • Kutschera, U.; Karl J.; Niklas (2004). Modern Theory of Biological Evolution: An Extended Synthesis. Naturwissenschaften, 91 (6): páginas 255-276.
      • Mayr, E. (1982). O crescimento do pensamento biológico: diversidade, evolução e herança. Cambridge: The Belknap Press e Harvard University Press.

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