A teoria das situações didáticas: o que é e o que explica sobre o ensino

A matemática nos custou muito caro, e isso é de se esperar. Muitos professores argumentaram que ou você tem boas habilidades matemáticas ou simplesmente não as tem, e não saberemos muito sobre isso.

No entanto, essa não era a opinião de muitos intelectuais franceses da segunda metade do século passado. Eles acreditavam que a matemática, longe de ser aprendida pela teoria e só, pode ser aprendida socialmente, compartilhando possíveis formas de resolver problemas matemáticos.


A teoria das situações didáticas é o modelo derivado desta filosofia, Argumentando que longe de explicar a teoria matemática e ver se os alunos conseguem ou não, é melhor fazê-los discutir suas possíveis soluções e fazer-lhes ver que são eles que descobrem o método para isso. Vamos olhar mais de perto.

    Qual é a teoria das situações didáticas?

    A teoria das situações didáticas de Guy Brousseau é uma teoria de ensino que faz parte da didática da matemática. Baseia-se no pressuposto de que o conhecimento matemático não é construído espontaneamente, mas através encontrar soluções em nome do aluno, compartilhar com outros alunos e compreender o caminho que eles seguiram para chegar à solução problemas matemáticos que lhe são apresentados.

    O ponto de vista por trás dessa teoria é que ensinar e aprender conhecimento matemático, ao invés de algo puramente lógico-matemático, é uma construção colaborativa dentro de uma comunidade educacional; é um processo social. Ao discutir e debater como um problema matemático pode ser resolvido, ele desperta em estratégias individuais para chegar à sua resolução que, embora algumas delas possam estar erradas, são caminhos que lhe permitem ter um melhor entendimento da teoria matemática dada em aula.

    Contexto histórico

    As origens da teoria das situações didáticas remontam à década de 1970, quando a didática da matemática começou a surgir na França., Tendo como orquestradores intelectuais figuras como o próprio Guy Brousseau com Gérard Vergnaud e Yves Chevallard, entre outros.

    Era uma nova disciplina científica que estudava a comunicação do conhecimento matemático usando a epistemologia experimental. Ele estudou a relação entre os fenômenos envolvidos no ensino da matemática: os conteúdos matemáticos, os agentes pedagógicos e os próprios alunos.

    Tradicionalmente, a figura do professor de matemática não era muito diferente de outros professores, considerados experts em suas disciplinas. Contudo, o professor de matemática era considerado um grande mestre desta disciplina, que nunca se enganava e sempre tinha um método único para resolver cada problema. Essa ideia se baseou na crença de que a matemática ainda é uma ciência exata e com apenas uma forma de resolver cada exercício, portanto, qualquer alternativa não oferecida pelo professor está errada.

    Porém, ao entrar no século XX e com as contribuições significativas de grandes psicólogos como Jean Piaget, Lev Vygotsky e David Ausubel começa a ir além da ideia de que o professor é o especialista absoluto e o aprendiz o objeto passivo do conhecimento. As pesquisas na área da psicologia da aprendizagem e do desenvolvimento enfatizam que o aluno pode e deve ter um papel ativo na construção do seu conhecimento, partindo de uma visão que deve armazenar todos os dados que lhe são dados para um mais unido que é quem descobre. , debate com os outros e não tem medo de cometer erros.

    Isso nos levaria à situação atual e à consideração da educação matemática como uma ciência. Esta disciplina tem grande respeito pelas contribuições da cena clássica, focando, como seria de se esperar, no aprendizado da matemática. Cabe ao professor explicar a teoria matemática, esperar que os alunos façam os exercícios, errar e mostrar o que fizeram de errado; agora é composto por alunos que consideram diferentes formas de chegar à solução do problema, mesmo que se desviem do caminho mais clássico..

      Situações didáticas

      O nome dessa teoria não usa a palavra situações gratuitamente. Guy Brousseau usa o termo “situações didáticas” para designar a forma como o conhecimento deve ser oferecido na aquisição da matemática, além de falar da forma como os alunos participam dela. É aqui que introduzimos a definição exata da situação didática e, por outro lado, a situação a-didática do modelo da teoria das situações didáticas.

      Brousseau fala de “situação didática” como aquele que foi intencionalmente construído pelo educador, a fim de ajudar seus alunos a adquirirem determinado conhecimento.

      Essa situação didática é planejada com base em atividades de resolução de problemas, ou seja, atividades em que um problema a ser resolvido é apresentado. A resolução destes exercícios estabelece os conhecimentos matemáticos oferecidos em sala de aula, uma vez que, como já referimos, esta teoria é principalmente utilizada nesta área.

      A estruturação das situações didáticas é da responsabilidade do professor. É ele quem deve projetá-los de forma que os alunos possam aprender. No entanto, isso não deve ser mal interpretado, pensando que o professor deve dar a solução diretamente. Sim, ele ensina teoria e oferece tempo para praticá-la, mas não ensina todas as etapas das atividades de resolução de problemas.

      Situações didáticas

      Durante a situação didática, existem “momentos” denominados “situações a-didáticas”. Tais situações são os momentos em que o próprio aluno interage com o problema proposto, não o momento em que o educador explica a teoria ou dá a solução para o problema.

      Esses são os momentos em que os alunos desempenham um papel ativo na resolução do problema, discutindo com o resto dos colegas como resolvê-lo ou seguindo as etapas para encontrar a resposta. O professor deve estudar a maneira como os alunos os “concebem”.

      A situação didática deve ser colocada de forma a convidar os alunos a participarem ativamente na resolução do problema. Ou seja, a situação didática concebida pelo educador deve contribuir para dar situações a-didáticas e levá-las a apresentar conflitos cognitivos e questionar.

      Neste ponto, o professor deve atuar como um guia, intervindo ou respondendo às questões, mas oferecendo outras questões ou “pistas” sobre o caminho a seguir, nunca deve dar-lhes a solução diretamente.

      Essa parte é muito difícil para o professor, porque ele tinha que ter cuidado e não dar pistas muito reveladoras ou estragar diretamente o processo de encontrar a solução dando tudo para seus alunos. Isso é chamado de processo de feedback e o professor deve ter pensado quais perguntas deveriam ser respondidas e quais não deveriam., Certifique-se de que isso não atrapalhe o processo de aquisição de novos conteúdos pelos alunos.

      Tipos de situações

      As situações didáticas são classificadas em três tipos: ação, formulação, validação e institucionalização.

      1. Situações de ação

      Nas situações de ação, ocorre uma troca de informações não verbais, representadas na forma de ações e decisões. O aluno deve atuar no ambiente proposto pelo professor, colocando em prática o conhecimento implícito adquiridos na explicação da teoria.

      2. Situações de formulação

      Nesta parte da situação didática a informação é formulada verbalmente, ou seja, explica como o problema poderia ser resolvido. Em situações de formulação, a capacidade dos alunos de é colocado em prática reconhecer, decompor e reconstruir a atividade de resolução de problemas, procurando mostrar aos outros, através da linguagem oral e escrita, como o problema pode ser resolvido.

      3. Situações de validação

      Em situações de validação, como o nome sugere, os “caminhos” que foram propostos para chegar à solução do problema são validados. Os membros do grupo da atividade discutem como o problema proposto pelo professor poderia ser resolvido, testando os diferentes caminhos experimentais propostos pelos alunos. A questão é se essas alternativas fornecem um, muitos, nenhum e qual a probabilidade de serem verdadeiras ou falsas.

      4. Status de institucionalização

      A situação de institucionalização seria a consideração “oficial” de que o objeto do ensino foi adquirido pelo aluno e que o professor o leva em consideração. É um fenômeno social muito importante e uma fase essencial do processo didático. O professor conecta o conhecimento livremente construído pelo aluno na fase didática com o conhecimento cultural ou científico.

      Referências bibliográficas:

      • Brousseau G. (1998): Teoria das situações didáticas, La Pensée Sauvage, Grenoble, França.
      • Chamorro, M. (2003): Didática da matemática. Pearson. Madri, Espanha.
      • Chevallard, I, Bosch, M, Gascón, J. (1997): Studying Mathematics: The Lost Link between Teaching and Learning. Cadernos educativos Nº 22.
      • Horsori, Universidade de Barcelona, ​​Espanha.
      • Montoya, M. (2001). O contrato de ensino. Documento de trabalho. Mestre em Educação Matemática. PUCV. Valparaíso, Chile.
      • Panizza, M. (2003): O ensino da matemática no nível inicial e no primeiro ciclo da EGB. Paidos. Buenos Aires, Argentina.

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